20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado discute o formato do jornalismo em painel “Jornal, do Papel à Multiplataforma”

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Palestrantes apresentaram dados e perspectivas do mercado de comunicação.

O 20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, promovido pela Associação Latino-Americana de Publicidade (ALAP), realizou, nesta quinta-feira (11), o painel “Jornal, do Papel à Multiplataforma”. Palestraram o secretário da Associação Mundial de Jornais para a América Latina (WAN), Larry Kilman, o diretor editorial da Associação dos Jornais do Interior do Brasil (ADJORI-BR), Fernando Bond, e a vice-presidente de Jornais e Mídias Digitais do Grupo RBS, Andiara Petterle. A mediação foi realizada pelo diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira.

“2,7 bilhões de pessoas em todo o mundo leem jornais impressos”, afirmou o secretário Larry Kilman. A mídia impressa era um dos principais canais para o marketing, afirmou. Contudo, os publicitários possuem agora diversos canais de mídia disponíveis para trabalhar. Com relação ao possível fim dos jornais impressos, Kilman foi enfático: “Em 2015 está claro que a história da indústria de jornais não está acabando. Os jornais estão provando seu valor para a propaganda, apesar da competição. Estão descobrindo novos mercados e novos modelos de negócio. Transformaram-se em mídias multiplataforma”, destacou.

Mesmo com a queda de leitores pelo avanço da tecnologia, o palestrante afirmou que “a receita de circulação tem sido protegida pelo aumento de preços” e os cinco principais mercados em termos de receita são: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido e China. A América Latina, de acordo com ele, tem 9% do mercado de jornais. “2014 foi, definitivamente, o ano em que nós entramos numa nova era do mercado digital e mobile, o ano em que o uso do desktop diminuiu em favor do mobile e o uso de aplicativos móveis se tornou a maior atividade de mídia digital nos Estados Unidos”, apontou. Em dados, Kilman afirmou que a indústria mobile cresceu 50% em cinco anos e o mercado de aplicativos pode alcançar mais de 70 bilhões de dólares globalmente até 2017. Os aplicativos de notícias, para ele, devem obter até 5% desse mercado até 2017, o que pode representar 3,8 bilhões de dólares.

A circulação de jornais aumentou 6,5% globalmente de 2013 a 2014 e mais de 17% em cinco anos, conforme Kilman. O mercado indiano ainda é o mais seguro para o negócio de jornais. “Os novos dispositivos não estão apenas mudando hábitos, mas a maneira com que as notícias são distribuídas ou descobertas”, destaca e completa que 44% dos usuários de smartphones no Estados Unidos usam aplicativos relacionados a notícias. “O móvel vai superar rádio, revista, jornal para se tornar a terceira maior mídia do mundo em alguns anos”, afirmou.

O formato dos jornais do interior permeou a palestra de Fernando Bond. “Hoje temos no Brasil cerca de quatro mil títulos de jornais circulando para 165 milhões de brasileiros”, disse. A aproximação com o público em conteúdo e cobertura é o diferencial dos jornais do interior, de acordo com Bond.  “Os nossos jornais são a realidade do que se chama hiperlocalismo em comunicação. Fazem sua cobertura local e tem a fidelidade de seus assinantes. Conhecemos nossos assinantes e leitores e somos porta-vozes de nossas comunidades”, destacou. Para ele, as tiragens dos jornais impressos se mantêm estáveis.

“Estamos nos preparando para esse novo momento. Estamos trabalhando o novo perfil dos jornalistas e do jornalismo no interior”, garantiu Bond. Os jornalistas, de acordo com ele, estão se transformando em profissionais atuantes em multiplataformas. “O profissional está saindo para a rua para fazer web TV, portal e matéria para o impresso. Um repórter e uma pauta para três veículos”, apontou. “Estamos ocupando um espaço que está sendo deixado pela TV aberta e trabalhando com notícias e conteúdos locais. Estamos fazendo uma revolução no interior e na comunicação”, apontou.

A vice-presidente, Andiara Petterle, ressaltou que o jornal “é praticamente sinônimo de jornalismo”. Há mais de 100 anos, para Andiara, o que era notícia era decidido a partir do formato do jornal e, há 20 anos, o jornal faziabreaking news. “Faz muito pouco tempo que não tínhamos notícia em tempo real”, afirma. A relevância do jornal, para ela, não está na plataforma, mas sim no conteúdo. O Brasil possui cerca 73 milhões de leitores de jornal impresso atualmente e 50 milhões de leitores no digital, de acordo com a palestrante.

As marcas jornalísticas atuais, em âmbito nacional e internacional, possuem credibilidade atualmente e dificilmente serão criadas semelhantes nos próximos 20 ou 30 anos, afirmou Andiara. “Nunca, neste país, o jornalismo foi tão importante para nossa sociedade, a manutenção da nossa democracia e justamente pela existência de tantas vozes e influenciadores”, disse. Poucas mídias, para ela, conseguem concentrar opinião e capacidade de formar opinião nas comunidades como os jornais. “Quanto mais tempo se gasta com cada uma das telas, maior é a necessidade de ter conteúdo nelas”, concluiu, afirmando que o papel pode entrar em crise, porém, o jornalismo não. O que vai mudar, de acordo com ela, é a distribuição da informação.

 

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