Inovar não é uma opção. É necessidade!

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A inovação é contemporânea da qualidade. Enquanto a qualidade nascia na década de 20 pelo o engenheiro e matemático Shewhart com o uso de métodos estatísticos, a inovação, uma década depois, nascia pelas mãos do economista Schumpeter, com o viés de ser o motor para o desenvolvimento econômico. Hoje, em empresas maduras, a inovação e a qualidade fazem parte do mesmo sistema de gestão, se complementando.

Mas o que há de novo na abordagem da inovação? Diria que há cinco aspectos que tiveram seu entendimento amadurecido, principalmente neste novo século, embora o saudoso Peter Drucker já os tenha, alguns anos atrás, abordado em suas obras.

1- O conceito de inovação ampliou-se, agregando a sustentabilidade nas suas atenções e o valor a ser ofertado às partes interessadas como foco, não apenas ao cliente.
2- A abrangência da inovação ampliou-se, não mais se limitando a área de P&D.
3- A inovação passa a ser um trabalho em equipe, com soma de talentos, método e disciplina.
4- A inovação torna-se uma disciplina e, como tal, pode ser aprendida pelas organizações.
5- A consciência sobre a sua importância e necessidade ao negócio esta mais elevada, ainda que muito se fale e pouco se pratique.

Vejamos cada um deles:

• Embora não haja um único conceito para inovação, as ideias em geral são similares. Particularmente aprecio o conceito formulado pelo Fórum de Inovação da FGV-EASP: Inovação é uma nova ideia que ao ser implementada gera resultados + para fundadores, investidores e demais partes interessadas, com Responsabilidade Social e por um prazo razoável. Assim, a inovação é mais rica que a criatividade e que a própria invenção. Enquanto a criatividade é uma poderosa fonte de geração de novas ideias, a invenção é as suas realizações. Mas a inovação tem algo a mais que a invenção: o compromisso com o resultado, o valor gerado pela ideia implementada, incluindo a sua aceitação pela sociedade. Neste momento o atendimento aos aspectos econômicos, sociais e ambientais é o grande definidor.

• Ainda que a tecnologia e a atividade de P&D continuem importantes à inovação, hoje muitas inovações não se limitam a isso. Há pelos menos quatro tipos de mudanças advindas da inovação: Novos modelos de negócio ou organizacionais, novos produtos ou serviços, novos processos e novos mercados. Mudanças estas que utilizam ou não tecnologias de ponta.

• Fomos educados com a ideia de que a inovação é um atributo de gênios, trabalhando só ou com pequenos grupos. Ainda que isso exista, hoje é uma exceção. Equipes formadas por pessoas criativas, analíticas, gestoras e executoras são bem vindas, pois cada uma tem um papel na transformação de ideias em resultados concretos no tempo certo.

• Acredita-se hoje que a inovação possa ser estudada, aprendida e incorporada ao modo de ser de uma organização. Talvez esta seja a maior mudança, pois tira a inovação do pedestal de ser acessível por uma elite de organizações.

• Por fim, as lideranças, embora mais conscientes sobre a importância da inovação ainda falam mais do que agem e, quando agem, o fazem de forma pouco estruturada na gestão da inovação.

Muito bem! Mas por que a inovação é fundamental ao meu negócio? E se eu não inovar? Escolher morrer é uma opção, já dissera Drucker com relação a falta de inovação. Enquanto a qualidade dos produtos e serviços e a produtividade dos recursos são os maiores responsáveis pela lucratividade do negócio atual, a inovação é a responsável pela sustentação e crescimento do negócio no futuro. Sem ela, não há futuro promissor.

Assim, dentro deste contexto, o PGQP criou em 2010 o SAGRI – Sistema de Avaliação e Resultados da Inovação – e o Prêmio Inovação RS, visando desenvolver as organizações do nosso estado nesse tema tão importante à competitividade e qualidade de vida. Mais recentemente criou o FAI, curso de Formação de Agentes de Inovação, realizando o treinamento da primeira turma agora nos dias 3 e 4 de novembro. Decorridos quatro ciclos já é possível perceber que a gestão da inovação começa a fazer parte da agenda das nossas organizações. Tem muito que fazer! Temos que correr!

Eduardo Vieira da Costa Guaragna
Eng. Mecânico, Mestre em administração, Diretor do PGQP e da Quali, Coordenador do Comitê de Inovação do PGQP, Membro da ABQ – Academia Brasileira da Qualidade.

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