A nova era da exploração espacial

Não é de hoje que olhar o céu e imaginar o que existe além das estrelas tem promovido o desenvolvimento humano e auxiliado em diversas – e importantes – conquistas. Já na Antiguidade, isso há 4.000 a.C, os povos da Mesopotâmia se utilizavam dos desenhos formados pelas constelações para uma melhor orientação das atividades agrícolas e náuticas. Instrumentos baseados na posição dos astros e estrelas, como o astrolábio e o quadrante, ajudaram na exploração do globo e na descoberta de novas terras, na época das Grandes Navegações, entre os séculos XV e XVII.

Mas foi no fim da década de 50, até o meio dos anos 1970, que o mundo testemunhou um dos momentos mais importantes da exploração espacial, quando os Estados Unidos e a extinta União Soviética lideraram conquistas fora da atmosfera terrestre. Dentre as principais, destaque para o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputinik, e as viagens tripuladas, até a chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969.

Quase meio século depois de o astronauta americano Neil Armstrong ter proclamado a frase “um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”, e com o imaginário da população povoado de trunfos extraterrestres (como a chegada a Marte e os voos turísticos à Lua), a conquista do espaço volta a empolgar – agora, com o apoio majoritário de empresas privadas.

Tecnologia espacial, soluções terrestres

O lançamento de novas missões representa o aperfeiçoamento da ciência e da engenharia, que passam a oferecer resultados de ponta não apenas para a exploração do espaço, mas também para problemas que permeiam a nossa vida na Terra. O teflon, o GPS, o código de barras e até o velcro, hoje tão comuns no nosso dia a dia, surgiram a partir de pesquisas espaciais.

Já o lançamento de satélites artificiais impulsionou o setor de telecomunicações e até da agricultura. O ramo da medicina também foi altamente beneficiado com o desenvolvimento de soluções espaciais. Sistemas de medição automática da pressão sanguínea e equipamentos de alta velocidade para a monitorização do coração surgiram nos anos 1970, em investigações sobre o efeito da microgravidade nos humanos que estavam a bordo de uma estação espacial.

Desafios de uma nova era

A realização de voos comerciais para a Lua e a colonização de Marte estão entre os principais objetivos dessa nova fase da exploração espacial. Para que isso aconteça, é preciso superar os desafios que viagens tão longas quanto essas implicam.

Afinal, quanto maior a distância, maior será a necessidade de suprimentos para tornar a jornada viável – como combustível, água, mantimentos e ferramentas para manutenções.

— É muito complicado viver fora do nosso ambiente. Há poucos recursos no espaço e, historicamente, nós levamos conosco tudo aquilo que precisamos para sobreviver quando lançamos uma missão — , pontuou Andrew Rush, CEO da Made In Space, durante o Warm Up Wired Festival Brasil 2017, realizado no dia 18 de outubro, em São Paulo.

Mais autonomia para os astronautas

No fim de 2016, a NASA registrou uma importante conquista para a árdua tarefa de reduzir o peso da bagagem dos tripulantes da Estação Espacial Internacional (ISS). Uma parceria entre a Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, e a Made In Space, empresa norte-americana líder no segmento de manufatura em gravidade zero, permitiu a criação de peças e ferramentas para reposição no espaço, a partir de uma impressora 3D.

Desde então, objetos como chaves, parafusos e conectores são manufaturados na impressora Additive Manufacturing Facility (AMF), com o Plástico Verde I’m greenTM, da Braskem – uma resina de origem renovável, feita à base de cana–de-açúcar, que reúne características como flexibilidade, resistência e reciclabilidade.

Batizado de Imprimindo o Futuro, o projeto caminha para sua segunda iniciativa: a chegada de uma recicladora à Estação Espacial para ajudar a completar o ciclo do plástico a bordo. Com ela, embalagens e as próprias peças de polietileno verde, fabricadas na impressora 3D AMF, poderão ser reutilizadas para a produção de novos objetos. A expectativa é de que o envio aconteça já no segundo semestre de 2018.

Além de aumentar a autonomia e a sustentabilidade das viagens espaciais, os avanços da parceria proporcionam uma exploração mais sustentável e consciente. — Ao completar esse ciclo, entendemos que faremos de forma correta a exploração de outros planetas. Aprendemos com as lições do nosso passado e agora temos a oportunidade de fazer novas conquistas, sem exaurir as terras descobertas. Sendo sustentáveis e autossuficientes, vamos deixar uma contribuição efetiva às futuras gerações — , disse Patrick Teyssonneyre, diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem e mediador do evento.

Em terra firme

Enquanto a tecnologia de impressão 3D tem se consolidado cada vez mais em todo o mundo, barateando e facilitando o acesso à moradia e até auxiliando na fabricação de próteses e implantes, a Braskem tem se aproveitado de toda essa expertise que vem diretamente do espaço, para investir em maneiras alternativas de reciclagem.

Uma dessas iniciativas é a Plataforma Wecycle, que incentiva a reutilização do plástico, fomentando negócios que valorizem esses resíduos pós-consumo. Uma das principais premissas da plataforma é criar novas parcerias no mercado para promover a continuidade do ciclo de vida do plástico de forma diferenciada. Além disso, a empresa busca garantir o desenvolvimento de produtos com conteúdo reciclado pós-consumo, qualificação de processos e produtos e ações de responsabilidade social voltadas à reciclagem. Garantindo assim a longevidade, as belezas e os avanços do nosso planeta azul.

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